Bootcamp da energia

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E para ti, o que é a pobreza energética?
A primeira edição da Academia da Energia terminou com um Bootcamp da Energia. Durante um dia, cinquenta estudantes do ensino secundário procuraram encontrar soluções para combater a pobreza energética – “a incapacidade de indivíduos ou famílias aquecerem as suas casas, e no caso de climas como o nosso, também arrefecer”. Ler Mais

Em Portugal, cerca de 24% da população não consegue manter a casa quente (somos o 5º pior país da União Europeia neste aspeto), enquanto 28,1% queixa-se de infiltrações e humidade nos seus lares (aqui somos mesmo os primeiros do ranking). Mais: 35,7% não consegue ter a sua casa confortavelmente arrefecida no verão e 7,8% tem contas de água, luz e gás em atraso.
Foi em torno desta problemática, e divididos em equipas, que os jovens com idades entre os 15 e 18, foram incentivados a pensar em soluções inovadoras, relevantes, mobilizadoras e exequíveis que pudessem ser replicadas a nível local e nacional, já que o desafio tinha estas duas vertentes.
A pobreza energética apresenta várias possíveis definições, sendo a mais comum relativa à incapacidade de indivíduos ou famílias aquecerem as suas casas, e no caso de climas como o nosso, também arrefecer.
Frequentemente, outros usos de energia são incluídos no conceito, no entanto, a maioria dos autores concentra-se na componente de aquecimento. Esta é uma realidade que tem impacte no nosso bem-estar, na saúde, na mortalidade, no aproveitamento escolar e no rendimento profissional, assim como no isolamento social.

Quais as soluções?
Influenciados positivamente pelas atividades realizadas durante a semana da Academia, foram apresentadas 10 propostas de projetos em formato pitch de três minutos. Durante este tempo, os grupos apresentaram as suas ideias, perante os colegas e um júri.
No desafio local, a equipa “Ai meu Deus” foi a grande vencedora com a ideia “Bairro +” que pretende, com a implementação de painéis fotovoltaicos em determinados bairros, que a energia elétrica produzida seja disponibilizada em áreas de apoio social.
Das restantes equipas, surgiram ideias como ações de caráter social, o aproveitamento do calor residual de fábricas, o rastreio de habitações ineficientes através de drones equipados com câmaras termográficas, a criação de aldeias fotovoltaicas ou a partilha de produção de energia por parte dos hotéis para servir famílias mais vulneráveis energeticamente.
Já no desafio nacional, a equipa “WC sem nome” venceu esta categoria com a ideia de geração de correntes de convenção através de um telhado móvel. Esta estrutura seria constituída por materiais de mudança de fase, abrindo e fechando de acordo com as necessidades de aquecimento e arrefecimento.
As restantes equipas apresentaram propostas como o aproveitamento da energia solar para a produção de energia elétrica para zonas sem acesso à eletricidade; instalação de pavimentos nas passadeiras das estradas que convertam energia cinética dos carros e dos peões em energia elétrica; ou multas para consumo excessivo de água cujo valor seria utilizado para apoiar famílias com necessidades energética.
Foi Gorete Soares, consultora para a eficiência energética da ADENE que fez o balanço do primeiro bootcamp da energia: “gostei imenso de vos ver a trabalhar, da vossa energia e dedicação”, garantiu, acrescentando: “esta é uma iniciativa a repetir, certamente”. Destacando ainda as amizades e o envolvimento conseguido durante a semana, Gorete Soares concluiu: “Não perdi a esperança na vossa geração enquanto cidadãos. Vale a pena continuar a apostar em vocês”.

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